RIO DO CAMPO AGORA TEM LEI FICHA LIMPA!




Ao longo do postergar dos últimos anos a sociedade brasileira tem travado uma legítima batalha no intuito de acoitar a ética e os princípios morais. Atos públicos, dentre os quais mobilizações, abaixo-assinados e projetos de lei demonstram de maneira contundente a inquietude e a insatisfação da coletividade ante os maus exemplos de alguns dos homens públicos brasileiros.
A Lei da Ficha Limpa, cuja constitucionalidade foi recentemente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal - e que valerá para as eleições de 2012 -, é um significativo exemplo de como a força conjunta da população e da opinião pública pode auxiliar na depuração de um sistema político que, deveras, vem sendo corroído pela impunidade.
Uma conquista social cujos efeitos necessitam sem demora ser estendidos a todos os cargos em comissão, junto aos poderes Executivo e Legislativo de todas as esferas, assim como seus respectivos órgãos, inclusive secretários de município, de Estado, ministros e presidentes de entidades da administração autárquica e fundacional.
Considerada a verdade da proposição acima, os Vereadores da Câmara Municipal de Rio do Campo aprovaram, neste mês de abril, Projeto de Lei que disciplina a nomeação para cargos em comissão no âmbito dos órgãos do Poder Executivo e Legislativo do município.
 O projeto, apresentado pelo Vereador Rodrigo Preis, é inspirado na Lei de âmbito nacional, e veio para acompanhar a pari passo o ritmo de outros municípios do Estado de Santa Catarina, que aderiram à ideia há mais tempo.
          Dentre as vedações elencadas, a Lei Ficha Limpa proíbe a nomeação para cargos em comissão dos indivíduos que tenham contra sua pessoa representação julgada procedente pela Justiça Eleitoral, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado, em processo de apuração de abuso do poder econômico ou político, desde a decisão até o transcurso do prazo de 8 (oito) anos, e, ainda,  dos que forem condenados, nas mesmas condições, pelos crimes cometidos contra a economia popular, a fé pública, a administração pública e o patrimônio público; contra o meio ambiente e a saúde pública, ou, ainda, por crimes eleitorais, de abuso de autoridade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, tráfico de drogas, racismo, tortura, terrorismo e hediondos, contra a vida e a dignidade sexual, dentre outras proibições.
Há os que entendem que esta proposição legal colide diretamente com o princípio da presunção da inocência - disposto no art. 5º, inciso LVII da Constituição Federal — na medida em que o mesmo afirma que: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”.
No entanto, há de se considerar que se trata de uma punição de âmago administrativo e não de uma questão penal. Ademais, a Lei prevê que é possível recorrer da decisão colegiada desde que um grupo de juízes conceda autorização enquanto o recurso é analisado (efeito suspensivo). Se o processo transitar em julgado depois disso, é cancelado o registro de candidatura, ou diploma caso o condenado já tenha tomado posse.
           Discussões e contestações a segundo plano, é indiscutível que esta alteração legislativa traz à luz a imprescindibilidade da ética e da cidadania. Ética a ser praticada pelos que assumem funções de cunho público. Cidadania a ser exercida pelos eleitores, a fim de que, no ensejo da escolha de seus representantes, excluam das possibilidades de eleição os candidatos de conduta torpe e traços biográficos em que conste todo e qualquer vestígio de indecoro.
Embora nossa cidade não esteja acometida por casos de indivíduos investidos em cargos comissionados e inseridos nas vedações dispostas na Lei Ficha Limpa, esta é, sem espaço para dúvidas, uma medida de valor imensurável no intuito de prevenir que pessoas ímprobas sejam investidas em cargos de confiança da administração pública.
            A democracia já é assente, e se consolida a cada vez mais. A probidade, por sua vez, é uma pedra rara ofuscada em meio ao cascalho da corrupção e da ilicitude. É preciso, pois, garimpar em busca dos revestidos por honestidade.